Laura Miranda e Mônica Infante

Sítio de criação: Lago da represa do rio Passaúna, área de proteção ambiental, Região Metropolitana de Curitiba, PR, Brasil.
Circuito do público: Com um ônibus, desloca-se da cidade para o lugar da performance.
A performance trata do lago, das margens, das superfícies da água e do fundo. Discute-se um conceito de água tanto como solvente quanto desígnio de travessia em busca de um novo território. Nas margens, ficaram outras localidades. Da península de Kutch, na Índia, ao trajeto pelas bordas do lago, as artistas empreenderam um percurso de documentação, de práticas tradicionais de tingimento de tecidos até registros das experiências do embate entre corpo e meio ambiente.
Na rede de criação ampliada, a superfície das águas assume o céu num jogo de reflexos, enquanto a seca da represa revela outra camada, antes encoberta, de restos e vestígios de antigas ocupações. A experiência das artistas nas comunidades têxteis, nessa região da Índia, foi motivo para pensar os usos do tecido e o convívio com os habitantes.
No processo, o corpo foi desafiado e integrado como um elemento sistêmico permeável à dinâmica dos fluxos. A grande extensão de cor amarela presentificou o trabalho e, em síntese, criou um espelho entre o céu e a terra. Nesse encontro, a paisagem se tornou uma trama têxtil, composta pela urdidura do corpo, do tecido e da vegetação.